"Ônibus Norte"


Um ponto de ônibus em frente ao shopping, muitas pessoas, idosos, crianças, jovens, entre outros, esperando para pegar um Ônibus tranqüilo que os levem para suas casas, com toda segurança possível e que requer o valor da passagem. Ao menos é o que esperam os passageiros.
Estava eu, em uma parte da parada de ônibus, esperando também, como todos. Avistei um ônibus vindo em minha direção, percebi que era ponte – aleluia – já se fazia umas duas horas que eu esperava. Entrei no ônibus e perguntei, com o ônibus já em movimento e de portas fechadas, “esse ônibus passa pelo centro?”, o cobrador com um sorriso um pouco sarcástico no rosto, me olhou - eu estava até então sorrindo também, por educação, lógico – e disse: “ah, sim, mas esse ônibus é NORTE, leva duas horas pra chegar lá”. Meu sorriso – que por educação ainda estava no rosto, desapareceu, dando lugar ao meu ar de revolta – apenas respondi com um simples obrigado.
Resolvi sentar, mas claro, não havia bancos vazios, esse é um dos fatores do porquê eu continuo preferindo um ônibus direto, sempre tem lugar pra mais um, e com bancos vazios. Fiquei de pé, ao lado do cobrador, ele como todos os outros cobradores, utilizavam seu trabalho como um meio de conhecer melhor, ou visualizar melhor, as passageiras, de todos os ângulos possíveis. Ele me sorriu, trocou olhares com a garota do banco da frente, acenou para a garota do banco de trás e, também, reparou no físico de todas as seis passageiras – mulheres, claro – que entravam de uma só vez.
Percebi que o garoto que estava atrás do banco do motorista estava no celular, à passageira – idosa, velha, que pensei que tinha uns 100 anos – estava dormindo, a garotinha do fundo do ônibus, estava colando chiclete no cabelo do senhor do banco da frente, e no fundo, também, estava um casal de namorados – eu penso que sejam namorados – estavam na maior briga praticamente um DR – DR* discutindo a relação.
De repente, eu avistei um banco vazio – aleluia, novamente – estava meio escondido, entre pessoas que estavam se amassando pelo leve embalar do ônibus – eu já estava quase sem sentir minhas pernas e praticamente caindo sobre o garoto da frente. Resolvi correr para aproveitar a oportunidade – o lugar vago, é claro – mas sem perceber havia alguém no lugar, uma criança sentada ao lado da mãe, deveria ter mais ou menos uns dois anos – e sentada em um banco, e eu ali, de pé, sendo amassada por um batalhão de idosas que tentavam se aproximar do motorista e contar como foi a missa de sábado. Fiquei no mesmo lugar.
Percebi que entrava mais uma pessoa no ônibus – ai não, é agora que eu saio pela janela, imaginei – era um garoto, forte, alto, olhos azuis, moreno, lindo demais. Estava indo em minha direção – quase desmaiei, na verdade era essa a minha idéia para quando ele chegasse perto – estava sorrindo, um lindo sorriso como eu nunca havia visto em meus dezoito anos de vida, eu sorri também, ele acenou, eu acenei também, ele continuou andando em minha direção – nunca imaginei que o corredor do ônibus fosse tão longo – de repente passou por mim. Percebi que era tudo para a namorada dele, estava atrás de mim, no corredor – que decepção.
Percebi um lugar vago e cai logo nele, até empurrei uma mulher que estava ao lado de mim – ninguém mais rouba meu lugar no ônibus. Fiquei pensando por uns poucos minutos e notei como tudo era engraçado, aquele ônibus, as pessoas, o cobrador, o motorista, tudo em seus devidos lugares, a postos para mais um dia de trabalho. Foi divertido, claro, mas pensando bem, não pretendo voltar a andar de ônibus norte tão cedo.

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quarta-feira, 30 de julho de 2008

"Ônibus Norte"

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Um ponto de ônibus em frente ao shopping, muitas pessoas, idosos, crianças, jovens, entre outros, esperando para pegar um Ônibus tranqüilo que os levem para suas casas, com toda segurança possível e que requer o valor da passagem. Ao menos é o que esperam os passageiros.
Estava eu, em uma parte da parada de ônibus, esperando também, como todos. Avistei um ônibus vindo em minha direção, percebi que era ponte – aleluia – já se fazia umas duas horas que eu esperava. Entrei no ônibus e perguntei, com o ônibus já em movimento e de portas fechadas, “esse ônibus passa pelo centro?”, o cobrador com um sorriso um pouco sarcástico no rosto, me olhou - eu estava até então sorrindo também, por educação, lógico – e disse: “ah, sim, mas esse ônibus é NORTE, leva duas horas pra chegar lá”. Meu sorriso – que por educação ainda estava no rosto, desapareceu, dando lugar ao meu ar de revolta – apenas respondi com um simples obrigado.
Resolvi sentar, mas claro, não havia bancos vazios, esse é um dos fatores do porquê eu continuo preferindo um ônibus direto, sempre tem lugar pra mais um, e com bancos vazios. Fiquei de pé, ao lado do cobrador, ele como todos os outros cobradores, utilizavam seu trabalho como um meio de conhecer melhor, ou visualizar melhor, as passageiras, de todos os ângulos possíveis. Ele me sorriu, trocou olhares com a garota do banco da frente, acenou para a garota do banco de trás e, também, reparou no físico de todas as seis passageiras – mulheres, claro – que entravam de uma só vez.
Percebi que o garoto que estava atrás do banco do motorista estava no celular, à passageira – idosa, velha, que pensei que tinha uns 100 anos – estava dormindo, a garotinha do fundo do ônibus, estava colando chiclete no cabelo do senhor do banco da frente, e no fundo, também, estava um casal de namorados – eu penso que sejam namorados – estavam na maior briga praticamente um DR – DR* discutindo a relação.
De repente, eu avistei um banco vazio – aleluia, novamente – estava meio escondido, entre pessoas que estavam se amassando pelo leve embalar do ônibus – eu já estava quase sem sentir minhas pernas e praticamente caindo sobre o garoto da frente. Resolvi correr para aproveitar a oportunidade – o lugar vago, é claro – mas sem perceber havia alguém no lugar, uma criança sentada ao lado da mãe, deveria ter mais ou menos uns dois anos – e sentada em um banco, e eu ali, de pé, sendo amassada por um batalhão de idosas que tentavam se aproximar do motorista e contar como foi a missa de sábado. Fiquei no mesmo lugar.
Percebi que entrava mais uma pessoa no ônibus – ai não, é agora que eu saio pela janela, imaginei – era um garoto, forte, alto, olhos azuis, moreno, lindo demais. Estava indo em minha direção – quase desmaiei, na verdade era essa a minha idéia para quando ele chegasse perto – estava sorrindo, um lindo sorriso como eu nunca havia visto em meus dezoito anos de vida, eu sorri também, ele acenou, eu acenei também, ele continuou andando em minha direção – nunca imaginei que o corredor do ônibus fosse tão longo – de repente passou por mim. Percebi que era tudo para a namorada dele, estava atrás de mim, no corredor – que decepção.
Percebi um lugar vago e cai logo nele, até empurrei uma mulher que estava ao lado de mim – ninguém mais rouba meu lugar no ônibus. Fiquei pensando por uns poucos minutos e notei como tudo era engraçado, aquele ônibus, as pessoas, o cobrador, o motorista, tudo em seus devidos lugares, a postos para mais um dia de trabalho. Foi divertido, claro, mas pensando bem, não pretendo voltar a andar de ônibus norte tão cedo.

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