“Almoço de família”

Todos os almoços de domingo são iguais, sempre os mesmos. É onde toda a família se reúne para “comentar” sobre os assuntos da semana e também “contar” as novidades das pessoas da família, que no caso, é tudo sobre quem não foi naquele domingo.
Sempre chega o tio de última hora com aqueles três ou mais filhos que só incomodam, e sempre com a mesma desculpa: “Desculpe, me atrasei por causa das crianças.” Fala sério né. Vem também outro tio que não sabe nada de nada e que insiste em querer assar o churrasco. E todos da família já sabem o resultado. Enquanto aquele tio prepara a carne no espeto, as tias e a avó se juntam na cozinha para falar sobre aquela outra tia, aquela mesmo que faltou há dois domingos e que “dizem” que está quase se divorciando. O churrasco já está no fogo, à turma toda se divide em dois grandes grupos, que como sempre é claro, são os homens de um lado da casa e as mulheres do outro, todos com assuntos completamente diferentes. Como todos já sabem, as mulheres apenas trocam informações, que nunca admitem serem fofocas, e os homens ficam apenas trocando um assunto pelo outro, que na verdade, são apenas três: mulheres, carros e trabalho.
A galera já está toda reunida quando chega o avô. Ele entra em casa, como se não fosse a casa dele, e vai direto para a sala, puxa uma mesa, umas cadeiras, liga o rádio, pega um baralho novinho em folha e solta um belo grito: “E aí seus maricas, vamos jogar ou não?” E o povo todo da garagem se movimenta até a sala, se jogam em cadeiras, bancos, sofás e etc, e começam logo a jogar.
As crianças se limitam a brincar de pega-pega na rua, onde todas as crianças da vizinhança podem se juntar e no final das contas, vira uma tremenda encrenca. A vizinha barraqueira reclama com uma das tias, mãe de uma das crianças, que não agüenta mais e que está cada vez mais perigoso as crianças nas ruas. Mas ninguém nem dá muita conversa pra ela e deixa às crianças se “divertirem”, mesmo que seja quebrando as vidraças do armazém da esquina e também chutar os cachorros de rua. Pobrezinhos, deveriam um dia reagir e contra-atacar aquela criançada do inferno que só o que sabem fazer é infernizar, mas é isso mesmo que acaba acontecendo. E a gritaria está feita. As tias correm em direção ao bolo de crianças que já se concentram em torno da criança mordida e o cachorro mordedor. O cachorrinho nem quer saber de mais nada, apenas quer paz para poder viver. Uma das tias, aquela que é mãe da “santa criancinha”, solta um grito e diz que “jamais” vai voltar naquela rua, e que vai reclamar para o prefeito e ainda por cima irá chamar a polícia, a carrocinha, os bombeiros, enfim, alguém para levar aquele cachorro mordedor para bem longe, onde a única coisa que ele poderá voltar a morder será seu próprio rabo. A galera meio que se dispersa, aquela tia arrasta o marido e o filho, vão embora e todos voltam para dentro de casa.
Quando estão quase chegando à porta, ouvem gritos, gritos que por sinal eram ensurdecedor e capaz de mostrar o quanto aquela pessoa, a gritenta, barraquenta, enfim, tinha voz. Todos entram e vêem que o “barraco” já estava formado, agora dentro de casa. A tia do meio, filha do meio da avó, havia partido para cima do marido e descido o braço nele e na filha da vizinha, que também estava lá. Na verdade a filha da vizinha estava sempre lá porque “dizem” as más línguas, que a garota de apenas 18 anos era apaixonada pelo marido da “barraquenta”, que tem 48 anos.
Depois do barraco da rua, do barraco de dentro de casa, que já havia sido tranqüilizado pela avó que sempre chega na hora certa e dá um belo grito, as confissões começam a surgir. A filha da vizinha grita e diz que nunca teve interesse no marido da outra, a outra, grita também e diz que a filha da vizinha é uma sem-vergonha e que está sempre se “atirando” para os homens casados. O tio, marido da outra, grita e diz que não tem nada a ver com a história e que todo mundo é louco, que claro, está tentando se livrar para não apanhar da esposa novamente. As crianças começam a chorar e incomodar porque estão com fome e teimam e querer frango assado, que por sinal nem saiu do açougue, pois o tio que é expert em assar, havia se esquecido de comprar o frango. O avô larga da mesa de jogo e diz que a filha sempre tem ciúmes do marido por qualquer coisa, e que tudo não passa da imaginação dela. A tia, filha do avô, se possui e grita, como sempre, que não é louca, mas tem dois excelentes olhos e sempre vê quando o marido dá em cima das mulheres na rua. O marido já não se encontra mais naquele recinto, pegou a chave do carro e se mandou antes que apanhasse novamente da esposa. A filha do avô, uma outra filha, a mais velha, fala que nunca teve um domingo tão ruim e que preferia que nada daquilo estivesse acontecendo. A filha da vizinha grita e diz que não tem nada a ver com a história e que vai embora daquele lugar para nunca mais voltar. A tia, a barraquenta, a outra, se possui novamente e desce o braço na filha da vizinha. Resumindo, o assunto se encerra quando a vizinha, mãe da quebrada, surge do nada e leva a filha pra casa.
Com os ânimos mais tranqüilos, a carne já estava totalmente queimada na churrasqueira, a bebida já havia esquentado, o baralho já estava todo perdido, a avó diz que não está se sentindo bem e que quer ir para o hospital. A galera se reúne novamente, mas agora em prol da saúde da avó, e a levam direto para a emergência. Todos entram em seus carros, conversam normal, como se nada houvesse acontecido, então iniciam o trajeto.
Na chegada do hospital a avó sai do carro gritando (como esse povo gosta de gritar, hein), fala que está bem e que era tudo mentira, apenas fez aquilo para pararem de brigar. Todos riem por isso e levam a avó para casa novamente, mas agora nem saem de seus carros, apenas gritam (como sempre) das janelas dos carros e marcam de almoçarem no próximo domingo, todos juntos, claro.
E o domingo feliz, se acaba.

CONVERSATION

3 comentários:

  1. verdade almoço de domingo realmente é sempre a msm coisa, sempre os msm assuntos pessoas e etc.
    bjs

    ResponderExcluir
  2. shuashuashua

    Quanto barraco, senhor amado. Mas um barraco é bem feito: eu também odeio menininhas que ficam se atirando sobre meu marido. Ai que ódio. Um dia desço do salto também!!

    Abraços

    ResponderExcluir

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sábado, 13 de dezembro de 2008

“Almoço de família”

Compartilhar Todos os almoços de domingo são iguais, sempre os mesmos. É onde toda a família se reúne para “comentar” sobre os assuntos da semana e também “contar” as novidades das pessoas da família, que no caso, é tudo sobre quem não foi naquele domingo.
Sempre chega o tio de última hora com aqueles três ou mais filhos que só incomodam, e sempre com a mesma desculpa: “Desculpe, me atrasei por causa das crianças.” Fala sério né. Vem também outro tio que não sabe nada de nada e que insiste em querer assar o churrasco. E todos da família já sabem o resultado. Enquanto aquele tio prepara a carne no espeto, as tias e a avó se juntam na cozinha para falar sobre aquela outra tia, aquela mesmo que faltou há dois domingos e que “dizem” que está quase se divorciando. O churrasco já está no fogo, à turma toda se divide em dois grandes grupos, que como sempre é claro, são os homens de um lado da casa e as mulheres do outro, todos com assuntos completamente diferentes. Como todos já sabem, as mulheres apenas trocam informações, que nunca admitem serem fofocas, e os homens ficam apenas trocando um assunto pelo outro, que na verdade, são apenas três: mulheres, carros e trabalho.
A galera já está toda reunida quando chega o avô. Ele entra em casa, como se não fosse a casa dele, e vai direto para a sala, puxa uma mesa, umas cadeiras, liga o rádio, pega um baralho novinho em folha e solta um belo grito: “E aí seus maricas, vamos jogar ou não?” E o povo todo da garagem se movimenta até a sala, se jogam em cadeiras, bancos, sofás e etc, e começam logo a jogar.
As crianças se limitam a brincar de pega-pega na rua, onde todas as crianças da vizinhança podem se juntar e no final das contas, vira uma tremenda encrenca. A vizinha barraqueira reclama com uma das tias, mãe de uma das crianças, que não agüenta mais e que está cada vez mais perigoso as crianças nas ruas. Mas ninguém nem dá muita conversa pra ela e deixa às crianças se “divertirem”, mesmo que seja quebrando as vidraças do armazém da esquina e também chutar os cachorros de rua. Pobrezinhos, deveriam um dia reagir e contra-atacar aquela criançada do inferno que só o que sabem fazer é infernizar, mas é isso mesmo que acaba acontecendo. E a gritaria está feita. As tias correm em direção ao bolo de crianças que já se concentram em torno da criança mordida e o cachorro mordedor. O cachorrinho nem quer saber de mais nada, apenas quer paz para poder viver. Uma das tias, aquela que é mãe da “santa criancinha”, solta um grito e diz que “jamais” vai voltar naquela rua, e que vai reclamar para o prefeito e ainda por cima irá chamar a polícia, a carrocinha, os bombeiros, enfim, alguém para levar aquele cachorro mordedor para bem longe, onde a única coisa que ele poderá voltar a morder será seu próprio rabo. A galera meio que se dispersa, aquela tia arrasta o marido e o filho, vão embora e todos voltam para dentro de casa.
Quando estão quase chegando à porta, ouvem gritos, gritos que por sinal eram ensurdecedor e capaz de mostrar o quanto aquela pessoa, a gritenta, barraquenta, enfim, tinha voz. Todos entram e vêem que o “barraco” já estava formado, agora dentro de casa. A tia do meio, filha do meio da avó, havia partido para cima do marido e descido o braço nele e na filha da vizinha, que também estava lá. Na verdade a filha da vizinha estava sempre lá porque “dizem” as más línguas, que a garota de apenas 18 anos era apaixonada pelo marido da “barraquenta”, que tem 48 anos.
Depois do barraco da rua, do barraco de dentro de casa, que já havia sido tranqüilizado pela avó que sempre chega na hora certa e dá um belo grito, as confissões começam a surgir. A filha da vizinha grita e diz que nunca teve interesse no marido da outra, a outra, grita também e diz que a filha da vizinha é uma sem-vergonha e que está sempre se “atirando” para os homens casados. O tio, marido da outra, grita e diz que não tem nada a ver com a história e que todo mundo é louco, que claro, está tentando se livrar para não apanhar da esposa novamente. As crianças começam a chorar e incomodar porque estão com fome e teimam e querer frango assado, que por sinal nem saiu do açougue, pois o tio que é expert em assar, havia se esquecido de comprar o frango. O avô larga da mesa de jogo e diz que a filha sempre tem ciúmes do marido por qualquer coisa, e que tudo não passa da imaginação dela. A tia, filha do avô, se possui e grita, como sempre, que não é louca, mas tem dois excelentes olhos e sempre vê quando o marido dá em cima das mulheres na rua. O marido já não se encontra mais naquele recinto, pegou a chave do carro e se mandou antes que apanhasse novamente da esposa. A filha do avô, uma outra filha, a mais velha, fala que nunca teve um domingo tão ruim e que preferia que nada daquilo estivesse acontecendo. A filha da vizinha grita e diz que não tem nada a ver com a história e que vai embora daquele lugar para nunca mais voltar. A tia, a barraquenta, a outra, se possui novamente e desce o braço na filha da vizinha. Resumindo, o assunto se encerra quando a vizinha, mãe da quebrada, surge do nada e leva a filha pra casa.
Com os ânimos mais tranqüilos, a carne já estava totalmente queimada na churrasqueira, a bebida já havia esquentado, o baralho já estava todo perdido, a avó diz que não está se sentindo bem e que quer ir para o hospital. A galera se reúne novamente, mas agora em prol da saúde da avó, e a levam direto para a emergência. Todos entram em seus carros, conversam normal, como se nada houvesse acontecido, então iniciam o trajeto.
Na chegada do hospital a avó sai do carro gritando (como esse povo gosta de gritar, hein), fala que está bem e que era tudo mentira, apenas fez aquilo para pararem de brigar. Todos riem por isso e levam a avó para casa novamente, mas agora nem saem de seus carros, apenas gritam (como sempre) das janelas dos carros e marcam de almoçarem no próximo domingo, todos juntos, claro.
E o domingo feliz, se acaba.

3 comentários:

Fabio Thiago disse...

verdade almoço de domingo realmente é sempre a msm coisa, sempre os msm assuntos pessoas e etc.
bjs

Gisa disse...

shuashuashua

Quanto barraco, senhor amado. Mas um barraco é bem feito: eu também odeio menininhas que ficam se atirando sobre meu marido. Ai que ódio. Um dia desço do salto também!!

Abraços

Rafael Iglesias disse...

ASOPKokpa Barraco³...

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