“Casal virtual procura!”


Tudo começa quando Ana entra em uma sala de bate-papo em busca do homem perfeito. Ela já estava cansada de procurar em bailes, festas, todos os tipos de eventos que houvesse mais de cinco homens, Ana estaria lá. Suas amigas já estavam cansadas de avisar, mas Ana nunca cansava de procurar o tal homem perfeito. Sua última tentativa seria procurá-lo em uma dessas salas virtuais de bate-papo, onde cada um pergunta o que quer e responde o que quer. E lá se encontrava Ana Mariana dos Santos Padilha, em frente a uma tela de computador, tendo em mãos o teclado e o mouse e procurando por alguém com um Nick emocionante, algo tipo “gatinho de tal lugar” ou “homem perfeito procura”... essas coisas.
Mas tudo começa também para Diego. Ele que já estava cansado de tanto procurar a garota dos seus sonhos, a tal garota que iria fazer com ele se apaixonasse de verdade, a tal que iria fazê-lo até assistir filmes de amor e claro, iria chorar. Os amigos dele, assim com as amigas de Ana, já estavam cansados de tanto falar que não adianta procurar, de repente a perfeição surge do nada e jura ficar por toda a eternidade. Mas ele nunca desistiria, continuaria em busca da garota perfeita, e prometeria nunca, sem chance, de forma alguma, mentir. Ele sempre foi muito ligado em internet, já havia entrado umas duas vezes em salas de bate-papo, com o propósito de se divertir, mas nunca era verdade, procurava alguém pra namorar sério. Ele então decide entrar na sala de bate-papo novamente, e justamente era aquela em que Ana acabava de entrar. De primeira não sabia ao certo se colocava um Nick fofo, bonitinho ou então algo arrasador, tipo “gatinho de tal lugar” ou “homem perfeito procura”, mas acabou ficando com um simples “gato 23”.
As coisas iam bem para os dois, ele, “gato 23” entrou na sala e começou a verificar todos os nomes online, ela, Ana, entrou com um Nick simples, fácil, apenas “Aninha 30”. Ela conversou com um, com dois, enfim, até que encontrou “gato 23”. Surgiu até uma luz na tela do computador, as letras eram verde limão com sombras roxas e tudo piscava, ela então decide conversar com ele porque sabia que ele “era o cara”.
Tudo se inicia com um simples “oi gatinho 23, quer teclar?”. Ele logo de cara faz charme e diz que sim, que quer muito conversar com “Aninha 30”.
- Aninha 30 – E aí gatinho, tem mesmo 23 anos?
- Gato 23 – Claro gata, mas saiba que eu adoro garotas mais velhas.
- Aninha 30 – Faz o que da vida? (Ela vai direto à questão. Ele, que não faz nada além de estudar, está tentando terminar o ensino médio, pois já repetiu por duas vezes).
- Gato 23 – Eu? Ah, faço faculdade há quatro anos e meio. O curso é de Direito. Sou um cara bem sério, tenho que dizer isso.
- Aninha 30 – Uhh, sério mesmo? Eu também sou super séria. Falo mestrado em Administração de empresas, e trabalho como gerente, quase proprietária de uma empresa nos Estados Unidos. (Quantas mentiras. Ana nem fazia nada, tinha 17 anos, estava terminando o ensino médio e nem sabia o que faria depois disso).
- Gato 23 – Sorri para Aninha – (E ele já estava todo se achando por pensar que aquilo tudo era verdade). Gosta de que tipo de música, gata? Opa, quer dizer, senhorita?
- Aninha 30 – Gosto muito de MPB e você, meu caro senhor?
- Gato 23 – (Fica todo feliz, acreditando que ganhou na loteria de primeira por encontrar uma mulher mais velha e que tem todas essas características). Eu gosto muito de música clássica. Adoro Mozart, Chopin, já participei de vários concertos. Também gosto muito de literatura, e você? (Que mentira, ele odiava livros, histórias para ele eram sempre as mesmas coisas, até reprovado em literatura ele já havia sido).
- Aninha 30 – Manda beijo no rosto para Gato 23 – Nossa, quantas coisas em comum mesmo, eu gosto muito de literatura, todos os anos eu participo de feiras para apresentar livros as crianças carentes do mundo todo. (Ela nem sabia o nome do jornal que sua mãe recebia em casa todas as manhãs, quanto mais o nome de algum livro. E crianças carentes? Fala sério, ela nunca teve paciência com elas).
- Gato 23 – Aplaude Aninha 30 – Isso me impressiona a cada vez mais, como pode duas pessoas se encontrar em uma sala virtual e serem exatamente iguais? Terem os mesmos pensamentos, incrível. Mas mudando o assunto, de onde você é?
- Aninha 30 – Desconfia de Gato 23 – Sou de Pindamonhangaba, Maceió, mas moro em Londres. (Pindamonhangaba em Maceió? Não era em São Paulo isso?)
- Gato 23 – Desconfia de Aninha 30 – Pindamonhangaba em Maceió? (Tudo bem que ele nunca foi bom em geografia, mas ele sabia algumas cidades no mapa, e uma delas era Pindamonhangaba, e era em SP). Sempre soube que esse lugar era em SP.
- Aninha 30 – Se irrita com Gato 23 – Tem duas Pindamonhangaba, uma na baixada e outra em Maceió. Está desconfiando de mim? Por que isso?
- Gato 23 – Esbofeteia Aninha 30 – Não mulher, não falei nada disso. Mas deixa pra lá. Onde você estudou antes de fazer faculdade?
- Aninha 30 – Aceita as desculpas de Gato 23 – Estudei em uma escola pública, em Porto Alegre, não deve conhecer. É a escola Paula Soares.
- Gato 23 – Brinca com Aninha 30 – Incrível, meu primo estudava lá. (Mentira novamente, ele estuda lá. Diego começou a perceber todas as mentiras de Aninha 30).
- Aninha 30 – Fui da turma 303 naquele ano. E seu primo, de que turma era? (Tentando parecer não saber de nada).
- Gato 23 – Desconfia de Aninha 30 – Ele também era dessa mesma turma. (Ele já estava apavorado, acreditando teclar com uma de suas colegas de aula).
- Aninha 30 – (Ela se lembrava agora de todos seus colegas de classe, e lembrava também do que havia escutado na manhã anterior: “Ah Diego, então tu vai mesmo procurar namorada pela internet? Salas virtuais hein.”) Qual era o apelido de seu primo naquela época?
- Gato 23 – Era... era... (Não queria revelar qual era seu apelido na turma, mas, falou mesmo assim). Era Pimpão.
- Aninha 30 – Se enfurece com Gato 23 – Incrível isso, eu acho que me lembro dele. (Ela agora sabia quem era o grande mentiroso, Diego, um dos mais pilantras de sua turma, e ela o odiava agora como nunca). Bem, tenho que sair agora, vou fazer uma ligação para o presidente dos Estados Unidos e pode demorar. (Tentando fugir).
- Gato 23 – Mostra língua para Aninha 30 – (Ele raciocinou e percebeu que a Aninha 30 era sua pior inimiga da turma, os dois estavam sempre brigando, e se alguém soubesse do que havia acontecido, ele morreria). Eu também tenho que sair mas, vamos deixar essa conversa pra outro dia está bem? Mas por favor, não fala nada do que aconteceu aqui por ninguém certo Ana. (se encontrava agora desesperado).
- Aninha 30 – Sorriso maléfico para Gato 23- Se você se comportar até o final do ano DIEGO, quem sabe eu não esqueça isso.
- Gato 23 – Ignora Aninha 30.
E as pessoas ainda acreditam que falar em salas de bate-papo pode dar em alguma coisa séria, na verdade até pode vir acontecer, quem sabe uma humilhação diante da escola toda ou palhaçadas por parte do inimigo. Isso tudo nunca funciona. A verdade é que ninguém é perfeito, o mais próximo disso é encontrar sua alma gêmea que sempre irá desapontá-lo e por algumas vezes fará coisas inaceitáveis. Mas é a vida. Somos todos iguais, e gostamos de tudo que pode vir com tecnologias, inclusive salas de bate-papo.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

“Casal virtual procura!”

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Tudo começa quando Ana entra em uma sala de bate-papo em busca do homem perfeito. Ela já estava cansada de procurar em bailes, festas, todos os tipos de eventos que houvesse mais de cinco homens, Ana estaria lá. Suas amigas já estavam cansadas de avisar, mas Ana nunca cansava de procurar o tal homem perfeito. Sua última tentativa seria procurá-lo em uma dessas salas virtuais de bate-papo, onde cada um pergunta o que quer e responde o que quer. E lá se encontrava Ana Mariana dos Santos Padilha, em frente a uma tela de computador, tendo em mãos o teclado e o mouse e procurando por alguém com um Nick emocionante, algo tipo “gatinho de tal lugar” ou “homem perfeito procura”... essas coisas.
Mas tudo começa também para Diego. Ele que já estava cansado de tanto procurar a garota dos seus sonhos, a tal garota que iria fazer com ele se apaixonasse de verdade, a tal que iria fazê-lo até assistir filmes de amor e claro, iria chorar. Os amigos dele, assim com as amigas de Ana, já estavam cansados de tanto falar que não adianta procurar, de repente a perfeição surge do nada e jura ficar por toda a eternidade. Mas ele nunca desistiria, continuaria em busca da garota perfeita, e prometeria nunca, sem chance, de forma alguma, mentir. Ele sempre foi muito ligado em internet, já havia entrado umas duas vezes em salas de bate-papo, com o propósito de se divertir, mas nunca era verdade, procurava alguém pra namorar sério. Ele então decide entrar na sala de bate-papo novamente, e justamente era aquela em que Ana acabava de entrar. De primeira não sabia ao certo se colocava um Nick fofo, bonitinho ou então algo arrasador, tipo “gatinho de tal lugar” ou “homem perfeito procura”, mas acabou ficando com um simples “gato 23”.
As coisas iam bem para os dois, ele, “gato 23” entrou na sala e começou a verificar todos os nomes online, ela, Ana, entrou com um Nick simples, fácil, apenas “Aninha 30”. Ela conversou com um, com dois, enfim, até que encontrou “gato 23”. Surgiu até uma luz na tela do computador, as letras eram verde limão com sombras roxas e tudo piscava, ela então decide conversar com ele porque sabia que ele “era o cara”.
Tudo se inicia com um simples “oi gatinho 23, quer teclar?”. Ele logo de cara faz charme e diz que sim, que quer muito conversar com “Aninha 30”.
- Aninha 30 – E aí gatinho, tem mesmo 23 anos?
- Gato 23 – Claro gata, mas saiba que eu adoro garotas mais velhas.
- Aninha 30 – Faz o que da vida? (Ela vai direto à questão. Ele, que não faz nada além de estudar, está tentando terminar o ensino médio, pois já repetiu por duas vezes).
- Gato 23 – Eu? Ah, faço faculdade há quatro anos e meio. O curso é de Direito. Sou um cara bem sério, tenho que dizer isso.
- Aninha 30 – Uhh, sério mesmo? Eu também sou super séria. Falo mestrado em Administração de empresas, e trabalho como gerente, quase proprietária de uma empresa nos Estados Unidos. (Quantas mentiras. Ana nem fazia nada, tinha 17 anos, estava terminando o ensino médio e nem sabia o que faria depois disso).
- Gato 23 – Sorri para Aninha – (E ele já estava todo se achando por pensar que aquilo tudo era verdade). Gosta de que tipo de música, gata? Opa, quer dizer, senhorita?
- Aninha 30 – Gosto muito de MPB e você, meu caro senhor?
- Gato 23 – (Fica todo feliz, acreditando que ganhou na loteria de primeira por encontrar uma mulher mais velha e que tem todas essas características). Eu gosto muito de música clássica. Adoro Mozart, Chopin, já participei de vários concertos. Também gosto muito de literatura, e você? (Que mentira, ele odiava livros, histórias para ele eram sempre as mesmas coisas, até reprovado em literatura ele já havia sido).
- Aninha 30 – Manda beijo no rosto para Gato 23 – Nossa, quantas coisas em comum mesmo, eu gosto muito de literatura, todos os anos eu participo de feiras para apresentar livros as crianças carentes do mundo todo. (Ela nem sabia o nome do jornal que sua mãe recebia em casa todas as manhãs, quanto mais o nome de algum livro. E crianças carentes? Fala sério, ela nunca teve paciência com elas).
- Gato 23 – Aplaude Aninha 30 – Isso me impressiona a cada vez mais, como pode duas pessoas se encontrar em uma sala virtual e serem exatamente iguais? Terem os mesmos pensamentos, incrível. Mas mudando o assunto, de onde você é?
- Aninha 30 – Desconfia de Gato 23 – Sou de Pindamonhangaba, Maceió, mas moro em Londres. (Pindamonhangaba em Maceió? Não era em São Paulo isso?)
- Gato 23 – Desconfia de Aninha 30 – Pindamonhangaba em Maceió? (Tudo bem que ele nunca foi bom em geografia, mas ele sabia algumas cidades no mapa, e uma delas era Pindamonhangaba, e era em SP). Sempre soube que esse lugar era em SP.
- Aninha 30 – Se irrita com Gato 23 – Tem duas Pindamonhangaba, uma na baixada e outra em Maceió. Está desconfiando de mim? Por que isso?
- Gato 23 – Esbofeteia Aninha 30 – Não mulher, não falei nada disso. Mas deixa pra lá. Onde você estudou antes de fazer faculdade?
- Aninha 30 – Aceita as desculpas de Gato 23 – Estudei em uma escola pública, em Porto Alegre, não deve conhecer. É a escola Paula Soares.
- Gato 23 – Brinca com Aninha 30 – Incrível, meu primo estudava lá. (Mentira novamente, ele estuda lá. Diego começou a perceber todas as mentiras de Aninha 30).
- Aninha 30 – Fui da turma 303 naquele ano. E seu primo, de que turma era? (Tentando parecer não saber de nada).
- Gato 23 – Desconfia de Aninha 30 – Ele também era dessa mesma turma. (Ele já estava apavorado, acreditando teclar com uma de suas colegas de aula).
- Aninha 30 – (Ela se lembrava agora de todos seus colegas de classe, e lembrava também do que havia escutado na manhã anterior: “Ah Diego, então tu vai mesmo procurar namorada pela internet? Salas virtuais hein.”) Qual era o apelido de seu primo naquela época?
- Gato 23 – Era... era... (Não queria revelar qual era seu apelido na turma, mas, falou mesmo assim). Era Pimpão.
- Aninha 30 – Se enfurece com Gato 23 – Incrível isso, eu acho que me lembro dele. (Ela agora sabia quem era o grande mentiroso, Diego, um dos mais pilantras de sua turma, e ela o odiava agora como nunca). Bem, tenho que sair agora, vou fazer uma ligação para o presidente dos Estados Unidos e pode demorar. (Tentando fugir).
- Gato 23 – Mostra língua para Aninha 30 – (Ele raciocinou e percebeu que a Aninha 30 era sua pior inimiga da turma, os dois estavam sempre brigando, e se alguém soubesse do que havia acontecido, ele morreria). Eu também tenho que sair mas, vamos deixar essa conversa pra outro dia está bem? Mas por favor, não fala nada do que aconteceu aqui por ninguém certo Ana. (se encontrava agora desesperado).
- Aninha 30 – Sorriso maléfico para Gato 23- Se você se comportar até o final do ano DIEGO, quem sabe eu não esqueça isso.
- Gato 23 – Ignora Aninha 30.
E as pessoas ainda acreditam que falar em salas de bate-papo pode dar em alguma coisa séria, na verdade até pode vir acontecer, quem sabe uma humilhação diante da escola toda ou palhaçadas por parte do inimigo. Isso tudo nunca funciona. A verdade é que ninguém é perfeito, o mais próximo disso é encontrar sua alma gêmea que sempre irá desapontá-lo e por algumas vezes fará coisas inaceitáveis. Mas é a vida. Somos todos iguais, e gostamos de tudo que pode vir com tecnologias, inclusive salas de bate-papo.

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