Meu nome não é Sara


Estava ela sentada de um lado da cama, tentando engolir todas as lamúrias que tinha acabado de ouvir. Estava ele de pé, ao lado da janela com um copo de wuiske nas mãos. Ambos tinham mentido, ignorado o outro, passando para trás tudo e todos, e mantendo em sigilo seu passado até o último momento da história.
Eles trocavam olhares, ela fingia que não o queria nem por uma noite apenas. Ele sorria, com aquele sorriso que só ele sabia fazer, tentando mais uma vez fazê-la entender que os dois eram iguais. A noite se passara, eles continuaram ali, até o momento em que tocou o telefone. Era ele? Era ela? Ninguém sabia, nem queriam saber. Mais uma desculpa esfarrapada, uma suja mentira ou apenas mais uma partida daquele jogo a dois? Ninguém sabia de mais nada. Nem o que se passara no início da noite.
Era uma quarta-feira, 05 de setembro. Sara saía para comprar comida no mercadinho da esquina. Havia deixado em casa seu namorado, ele a esperava com uma surpresa, um presente. Um lindo colar de diamantes, o colar que ela havia visto em uma vitrine na Rua 74 Norte. Ele como um louco apaixonado, não poderia deixar de presentear sua amada com algo tão especial assim como ela. Já se passara 2 horas desde a partida da mulher. O rapaz, intrigado, na casa da amada, já não sabia mais para quem ligar.
Enquanto se continuava com a procura, Sara estava em um quarto de hotel, muito bem acompanha, por um homem na qual ela nem sabia sequer seu nome. Eram dois desconhecidos. Não trocaram nomes, idades, onde moravam, apenas que eram comprometidos. Os dois.
Eles haviam se encontrado uma única vez, no metrô. Diego estava sentado em um banco, indo em direção a lugar nenhum, sem eira nem beira. Abrem-se as portas do metrô, entra um grupo de pessoas, entre elas, Sara. Podia-se dizer que era uma garota de apenas 18 anos, ou talvez 16. Seu tipo físico era o mais apreciado pelos homens da cidade. Procurou um lugar para se sentar, justamente ao lado de Diego. Eles então trocaram olhares, ele sorriu, com aquele mesmo sorriso que eu já havia comentado. O mais lindo de todos. Simplesmente trocaram telefones, nada mais.
Diego era um rapaz de poucas palavras. Era alto, loiro, olhos azuis, tipo físico totalmente apreciado pelas mulheres da cidade. Quanto a sua idade? Parecia ter seus 19, 20 anos, talvez. Nem ele sabia ao certo isso. Naquele dia, ele havia brigado com sua namorada, apenas por motivos de suspeitas da parte dela. Ele era tranqüilo. Não dizia nada de mais.
Na noite anterior ao encontro, a cidade estivera em polvorosa, houve um grande assalto. Seqüestraram a filha do governador. Levaram todas suas jóias e também seu carro particular. A polícia já suspeitava de alguém, apenas uma pessoa. Estava ele na mira da polícia. Quem seria ele?
Durante toda aquela noite, Sara não soubera de tudo, mas o necessário para ter de entregar Diego. Ele já havia suspeitado quanto àquela mulher tão silenciosa, uma detetive.
- E agora? O que eu faço?
Ele só a olhava, nem se prestava em responder.
- Onde está à garota? O carro? Diz-me o que faço?
Continuava o silêncio.
- Entrego-lhe a polícia, ganho tudo do que tanto sonhei ou finjo-me de desentendida, saio por este mundo e perco até meu nome?
Ele então se presta a responder.
- Faça o que tiver de fazer.
Dúvida cruel.
- Não seria eu se fizesse o certo hoje, e também, não seria eu se errasse hoje.
- Apenas faça o que fez durante esses dias. Cala-te e vem comigo.
Os ânimos voltaram ao normal, àquele quarto parecia não mais ser o mesmo de até 2 minutos atrás. Abriu-se a porta. Foram-se os dois. Telefone continuou tocando e eles nem queria saber de nada mais. Simplesmente foram viver como queriam e se sentiam bem. Camuflados.

CONVERSATION

2 comentários:

  1. Menina muito legal tua crônica, viu?Adorei o final, gosto de textos assim que prendem a atenção do leitor e você leva jeito para isso.

    Parabéns!

    Beijujubas

    ResponderExcluir

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Meu nome não é Sara

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Estava ela sentada de um lado da cama, tentando engolir todas as lamúrias que tinha acabado de ouvir. Estava ele de pé, ao lado da janela com um copo de wuiske nas mãos. Ambos tinham mentido, ignorado o outro, passando para trás tudo e todos, e mantendo em sigilo seu passado até o último momento da história.
Eles trocavam olhares, ela fingia que não o queria nem por uma noite apenas. Ele sorria, com aquele sorriso que só ele sabia fazer, tentando mais uma vez fazê-la entender que os dois eram iguais. A noite se passara, eles continuaram ali, até o momento em que tocou o telefone. Era ele? Era ela? Ninguém sabia, nem queriam saber. Mais uma desculpa esfarrapada, uma suja mentira ou apenas mais uma partida daquele jogo a dois? Ninguém sabia de mais nada. Nem o que se passara no início da noite.
Era uma quarta-feira, 05 de setembro. Sara saía para comprar comida no mercadinho da esquina. Havia deixado em casa seu namorado, ele a esperava com uma surpresa, um presente. Um lindo colar de diamantes, o colar que ela havia visto em uma vitrine na Rua 74 Norte. Ele como um louco apaixonado, não poderia deixar de presentear sua amada com algo tão especial assim como ela. Já se passara 2 horas desde a partida da mulher. O rapaz, intrigado, na casa da amada, já não sabia mais para quem ligar.
Enquanto se continuava com a procura, Sara estava em um quarto de hotel, muito bem acompanha, por um homem na qual ela nem sabia sequer seu nome. Eram dois desconhecidos. Não trocaram nomes, idades, onde moravam, apenas que eram comprometidos. Os dois.
Eles haviam se encontrado uma única vez, no metrô. Diego estava sentado em um banco, indo em direção a lugar nenhum, sem eira nem beira. Abrem-se as portas do metrô, entra um grupo de pessoas, entre elas, Sara. Podia-se dizer que era uma garota de apenas 18 anos, ou talvez 16. Seu tipo físico era o mais apreciado pelos homens da cidade. Procurou um lugar para se sentar, justamente ao lado de Diego. Eles então trocaram olhares, ele sorriu, com aquele mesmo sorriso que eu já havia comentado. O mais lindo de todos. Simplesmente trocaram telefones, nada mais.
Diego era um rapaz de poucas palavras. Era alto, loiro, olhos azuis, tipo físico totalmente apreciado pelas mulheres da cidade. Quanto a sua idade? Parecia ter seus 19, 20 anos, talvez. Nem ele sabia ao certo isso. Naquele dia, ele havia brigado com sua namorada, apenas por motivos de suspeitas da parte dela. Ele era tranqüilo. Não dizia nada de mais.
Na noite anterior ao encontro, a cidade estivera em polvorosa, houve um grande assalto. Seqüestraram a filha do governador. Levaram todas suas jóias e também seu carro particular. A polícia já suspeitava de alguém, apenas uma pessoa. Estava ele na mira da polícia. Quem seria ele?
Durante toda aquela noite, Sara não soubera de tudo, mas o necessário para ter de entregar Diego. Ele já havia suspeitado quanto àquela mulher tão silenciosa, uma detetive.
- E agora? O que eu faço?
Ele só a olhava, nem se prestava em responder.
- Onde está à garota? O carro? Diz-me o que faço?
Continuava o silêncio.
- Entrego-lhe a polícia, ganho tudo do que tanto sonhei ou finjo-me de desentendida, saio por este mundo e perco até meu nome?
Ele então se presta a responder.
- Faça o que tiver de fazer.
Dúvida cruel.
- Não seria eu se fizesse o certo hoje, e também, não seria eu se errasse hoje.
- Apenas faça o que fez durante esses dias. Cala-te e vem comigo.
Os ânimos voltaram ao normal, àquele quarto parecia não mais ser o mesmo de até 2 minutos atrás. Abriu-se a porta. Foram-se os dois. Telefone continuou tocando e eles nem queria saber de nada mais. Simplesmente foram viver como queriam e se sentiam bem. Camuflados.

2 comentários:

Juju disse...

Menina muito legal tua crônica, viu?Adorei o final, gosto de textos assim que prendem a atenção do leitor e você leva jeito para isso.

Parabéns!

Beijujubas

Mariana disse...

Gostei do blogue :)

bj

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