O Amanhã ainda pode existir



- Onde eu estou? Quem são estes? Eu morri? – Milhares de perguntas passavam pela cabeça da garota, ela sentia medo, e não havia ninguém para fazê-la se sentir melhor naquele momento.
Su era uma garota normal, 17 anos, milhares de amigos, inteligente, bonita e magra. Ela vinha perdendo peso a mais ou menos dois meses e ninguém da família se preocupava por isso, e ela se sentia cada vez mais gorda. GORDA. Essa era sua característica principal, a gordura em todos os seus ângulos.
Mais uma tentativa de ingerir algo que pudesse fazer com que aquela maldita fome simplesmente desaparecesse, porém, foi inútil mais uma vez, e também a última para Su. Foi no dia 13 de maio quando “todo o mal” aconteceu. Ela estava sozinha em casa, como sempre, ela estava sendo sua própria melhor amiga desde que decidiu que sua característica principal era a obesidade. “Garotas magras conseguem tudo, são felizes e bem sucedidas” – pensava ela. E foi com este pensamento que deixou de se alimentar, deixou de viver, deixou de sorrir e de repente desmaiou, ou melhor, sua alma acreditava que iria voltar em apenas dois minutos, mas não, levou aquela característica escolhida por ela mesma até o fim, ou melhor, a característica que ela havia escolhido para ela mesma é que a havia levado até o fim. Esse era o fim. O fim da Su. Quando sua mãe chegou em casa notou que ela estava no quarto, a porta estava aberta e a luz acesa, então a mãe entrou e deparou com a cena que marcará a sua vida para sempre. A filha estava caída no chão, vestindo um biquíni de lacinhos, em frente ao espelho, o qual continha uma mensagem que ela mesma tinha escrito antes de cair: “Garotas magras conseguem tudo, são felizes e bem sucedidas”. Foi um choque. Choque de terror, medo, dor, tristeza... culpa... culpa por não ter aberto os olhos a tempo, culpa por não reparado por apenas um minuto na sua filha, culpa. O pai chegou minutos depois, entrou em choque por ver a esposa em choque e também por ver sua filha caída daquela forma. Tudo se desmoronou.
Uma hora depois, no hospital do centro da cidade, o médico foi até a sala de espera para dar a notícia aos pais da moça. “Não sei bem o que dizer, na verdade, preferia não ter de dizer isso, mas, ela se foi.” – foram as únicas palavras do médico. Ela se foi, ela se foi. Isso fica uma vida inteira na mente de uma mãe, de um pai. Eles não conseguiram salvar a vida da Su, quando ela chegou ao hospital estava com trinta e dois quilos, sendo que antes ela tinha cinqüenta quilos. Ela tinha 1.70 de altura. Ela estava acabada, por assim dizer.
Dias se passaram e os pais da Su encontraram seu diário embaixo da cama dela. Abriram e folharam algumas páginas. Haviam frases como encontros, namoros, amores impossíveis, medo, tristeza e várias vezes a palavra gorda, a palavra era marcada e sublinhada todas as vezes. Folharam mais uns meses e leram a última redação dela, daquele mesmo dia em que ela faleceu: “Diário, estou mal, parece que minhas forças estão se esvaindo, não sei mais o que fazer. Tenho obtido sucesso com as minhas dietas, emagreci mais dois quilos em dois dias, mas ainda não chequei no meu peso esperado, aquele que vai me tornar uma modelo bem sucedida e feliz. Tenho sonhado muito por esses dias, sonho em ser popular por ter um corpo perfeito, igual ao das modelos famosas e atrizes da TV. Sei que serei assim, sairei em todas as revistas apresentando meu método de emagrecimento, porque ele funciona e muito. Vomitei ontem pela manhã por ter tomado um copo de leite, vomitei ontem à noite por ter ingerido meia fatia de bolo e ainda me sinto gorda. Mas isso vai mudar, eu sei.” Essas foram às últimas palavras da garota.
Os pais da Su resolveram criar um programa que auxilia garotas com a doença – anorexia – Ana para os íntimos – relatando tudo o que a filha deles passou e dizer que ela poderia ter sobrevivido, mas não obteve ajuda a tempo. O slogan do programa foi: “Garotas magras conseguem tudo, são felizes e bem sucedidas – mas com saúde.” O programa hoje auxilia milhares de garotas, muitas aprenderam a tempo que todas são bonitas, todas são especiais, todas podem realizar seus sonhos, inclusive serem modelos famosas, mas para levar isso adiante, não podem ter anorexia, porque com ela (Ana) o futuro não passa do dia de amanhã.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O Amanhã ainda pode existir

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- Onde eu estou? Quem são estes? Eu morri? – Milhares de perguntas passavam pela cabeça da garota, ela sentia medo, e não havia ninguém para fazê-la se sentir melhor naquele momento.
Su era uma garota normal, 17 anos, milhares de amigos, inteligente, bonita e magra. Ela vinha perdendo peso a mais ou menos dois meses e ninguém da família se preocupava por isso, e ela se sentia cada vez mais gorda. GORDA. Essa era sua característica principal, a gordura em todos os seus ângulos.
Mais uma tentativa de ingerir algo que pudesse fazer com que aquela maldita fome simplesmente desaparecesse, porém, foi inútil mais uma vez, e também a última para Su. Foi no dia 13 de maio quando “todo o mal” aconteceu. Ela estava sozinha em casa, como sempre, ela estava sendo sua própria melhor amiga desde que decidiu que sua característica principal era a obesidade. “Garotas magras conseguem tudo, são felizes e bem sucedidas” – pensava ela. E foi com este pensamento que deixou de se alimentar, deixou de viver, deixou de sorrir e de repente desmaiou, ou melhor, sua alma acreditava que iria voltar em apenas dois minutos, mas não, levou aquela característica escolhida por ela mesma até o fim, ou melhor, a característica que ela havia escolhido para ela mesma é que a havia levado até o fim. Esse era o fim. O fim da Su. Quando sua mãe chegou em casa notou que ela estava no quarto, a porta estava aberta e a luz acesa, então a mãe entrou e deparou com a cena que marcará a sua vida para sempre. A filha estava caída no chão, vestindo um biquíni de lacinhos, em frente ao espelho, o qual continha uma mensagem que ela mesma tinha escrito antes de cair: “Garotas magras conseguem tudo, são felizes e bem sucedidas”. Foi um choque. Choque de terror, medo, dor, tristeza... culpa... culpa por não ter aberto os olhos a tempo, culpa por não reparado por apenas um minuto na sua filha, culpa. O pai chegou minutos depois, entrou em choque por ver a esposa em choque e também por ver sua filha caída daquela forma. Tudo se desmoronou.
Uma hora depois, no hospital do centro da cidade, o médico foi até a sala de espera para dar a notícia aos pais da moça. “Não sei bem o que dizer, na verdade, preferia não ter de dizer isso, mas, ela se foi.” – foram as únicas palavras do médico. Ela se foi, ela se foi. Isso fica uma vida inteira na mente de uma mãe, de um pai. Eles não conseguiram salvar a vida da Su, quando ela chegou ao hospital estava com trinta e dois quilos, sendo que antes ela tinha cinqüenta quilos. Ela tinha 1.70 de altura. Ela estava acabada, por assim dizer.
Dias se passaram e os pais da Su encontraram seu diário embaixo da cama dela. Abriram e folharam algumas páginas. Haviam frases como encontros, namoros, amores impossíveis, medo, tristeza e várias vezes a palavra gorda, a palavra era marcada e sublinhada todas as vezes. Folharam mais uns meses e leram a última redação dela, daquele mesmo dia em que ela faleceu: “Diário, estou mal, parece que minhas forças estão se esvaindo, não sei mais o que fazer. Tenho obtido sucesso com as minhas dietas, emagreci mais dois quilos em dois dias, mas ainda não chequei no meu peso esperado, aquele que vai me tornar uma modelo bem sucedida e feliz. Tenho sonhado muito por esses dias, sonho em ser popular por ter um corpo perfeito, igual ao das modelos famosas e atrizes da TV. Sei que serei assim, sairei em todas as revistas apresentando meu método de emagrecimento, porque ele funciona e muito. Vomitei ontem pela manhã por ter tomado um copo de leite, vomitei ontem à noite por ter ingerido meia fatia de bolo e ainda me sinto gorda. Mas isso vai mudar, eu sei.” Essas foram às últimas palavras da garota.
Os pais da Su resolveram criar um programa que auxilia garotas com a doença – anorexia – Ana para os íntimos – relatando tudo o que a filha deles passou e dizer que ela poderia ter sobrevivido, mas não obteve ajuda a tempo. O slogan do programa foi: “Garotas magras conseguem tudo, são felizes e bem sucedidas – mas com saúde.” O programa hoje auxilia milhares de garotas, muitas aprenderam a tempo que todas são bonitas, todas são especiais, todas podem realizar seus sonhos, inclusive serem modelos famosas, mas para levar isso adiante, não podem ter anorexia, porque com ela (Ana) o futuro não passa do dia de amanhã.

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